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Karol G é a artista mais ouvida no YouTube em 2021 e mostra por que é a rainha do reggaeton

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Cantora de 30 anos lançou o álbum ‘KG0516’ em emplacou os sucessos ‘Tusa’, ‘Bichota’ e ‘El Makinon’. Em duas entrevistas ao g1, ela contou passos da carreira e planos no Brasil. G1 entrevista Karol G
A colombiana Karol G desbancou grandes artistas dos Estados Unidos e foi a cantora mais ouvida e vista no YouTube em 2021: mais 3,11 bilhões de visualizações.
Atrás dela, ficaram The Weeknd, Ariana Grande, Justin Bieber, J. Balvin, Taylor Swift, Billie Eilish, Barões da Pisadinha, Camilo e Maluma.
Parte dos números vem do sucesso de seu terceiro álbum, “KG0516”, lançado em março deste ano. Com clipes para ele e outras produções, ela conseguiu chegar ao topo.
Só “Bichota”, maior hit do disco, teve mais de 910 milhões de views. A música foi a grande aposta da Karol para tentar repetir o sucesso de “Tusa”, lançada em 2019 em parceria com Nicki Minaj. Mas ela conseguiu emplacar várias das 16 faixas que compõem o álbum.
O trabalho é um filho da quarentena. No meio de 2020, Karol abandonou um álbum praticamente pronto e escreveu “KG0516” do zero. Em entrevista ao g1, ela contou mais sobre o processo. Ouça trechos no podcast abaixo:
Segredos do sucesso
Um dos ingredientes dessa receita que deu certo pra Karol foi se unir a gente grande ou em ascensão nesse mercado. Ela tem:
“Contigo vou a muerte”, com Camilo. O cantor também entrou no top 10 do Youtube.
“El makinon” com Mariah Angelic. O clipe tem mais de 500 milhões de views.
“Location”, com J Balvin e Anuel AA, com mais de 330 milhões de views.
Em “KG0516”, a cantora foi além do reggaeton e do trap latino, gêneros que alterna desde o começo da carreira. Ela misturou ritmos tradicionais colombianos, pop, R&B, bachata e até country de olho no mercado norte-americano.
Nascida Carolina Giraldo Navarro em Medellín, na Colômbia, ela comemora, de sua casa em Miami, a viagem que foram os últimos 16 anos como a artista Karol G. O título é uma celebração à data em que seus pais assinaram seu primeiro contrato: 16 de maio de 2006.
Quando a quarentena começou, Karol estava “no melhor momento da carreira”. A música dela dominava paradas, era a primeira vez que fazia uma turnê em estádios e arenas, e seus shows estavam quase esgotados. Ela só conseguiu fazer o primeiro, no Uruguai. “Me doeu muito. Mas talvez, sem esse tempo, não teria o que tenho hoje”.
Rainha do reggaeton
Karol G para o álbum ‘KG0516’
Divulgação
“Bichota” é um neologismo, apropriação da gíria “bichote”, usada para falar de alguém poderoso, que está com tudo. Era exatamente assim que Karol se sentia depois do sucesso internacional.
Para isso, ela adaptou a gíria ao feminino, gravou o single, se intitulou a “bichota do reggaeton” e adotou a palavra como sua assinatura musical.
“Com tempo de estar em casa e ver as coisas com calma, voltei a ver meus vídeos de quando era pequena, das primeiras entrevistas, dos primeiros shows e foi como reconhecer para mim tudo o que eu tinha feito. Foi como dizer a mim mesma ‘Uau, que orgulho’, como voltar a me apaixonar por mim. Fui para o estúdio e disse que queria fazer uma música que expressasse isso que estava sentindo.”
“Estava me sentindo muito feliz, poderosa, muito top. Fui ao estúdio e disse quero fazer uma música que se chama ‘Bichota’. Porque me sinto super Bichota e porque quero que, quando as pessoas escutem, se sintam sexys, atrativas e poderosas”, conta.
“KG0516”, terceiro álbum dela, tem toda essa atitude “bichota”. “Ocean”, de 2019, é o mais intimista da carreira, com algumas baladas e músicas mais sentimentais. “Unstoppable”, de 2017, foi o primeiro, com muita mistura de trap com reggaeton. Em todos eles, há muita sensualidade nas letras e nas músicas.
Karol G no MTV EMA 2020
Rodrigo Varela/MTV via Reuters
Mais mulheres, competição saudável
Ser mulher cantando sobre romance, independência, dinheiro e sucesso foi um dos fatores que a motivou a entrar no mercado de música latina. Karol diz que levou muito não no início da carreira (são 16 anos de estrada e só quatro com gravadora e álbuns lançados) porque era uma indústria masculina.
Em “KG0516”, ela faz parceria com diversas cantoras, de Ivy Queen, uma das primeiras do gênero, a Angeliq e Nathy Peluso, que vêm ganhando cada vez mais espaço.
Ano passado, “Tusa” se tornou a primeira parceria entre mulheres a estrear no topo da Hot latin songs, da revista Billboard. O que mostra que, talvez, o caminho esteja um pouco mais difícil nesse setor.
“Não é que não tenham muitas, mas que talvez tenha feito falta a oportunidade de expor essas artistas femininas tão grandes e tão talentosas. No começo, era muito difícil porque, quando comecei, as oportunidades eram mínimas, muito pequenas. Estavam tão apegados ao fato de que eram homens os que cantavam que nem sequer parecia crível quando uma mulher queria fazer.”
“Me sinto super feliz de fazer parte deste momento onde a indústria não fala de homens e mulheres, mas todo mundo está competindo com talento. Sinto que é uma competição saudável. Falta? Falta. Mas o importante é que estamos no caminho dessa mudança.”
Ela quer mais
Karol G, cantora da música tema da Copa América, elege os galãs do campeonato
A cantora ficou muito supressa com o sucesso que fez em países fora da América Latina pela primeira vez. “Tudo o que aconteceu em nível internacional com a música nos pegou de surpresa. Nós fomos número 1 na França, na Suíça, na Itália. E eu sentia que eram países que nem sequer falam nosso idioma, não devem ter ideia de quem é Karol G.”
Karol não sabe explicar o sucesso da música e diz que ainda não descobriu qual a “fórmula vencedora”. Ela vê como reflexo da maior abertura para o reggaeton e os ritmos e cantores latinos.
“Sinto que as pessoas estão começando a abraçar o idioma espanhol, querem aprender a falar. E além disso, sinto que nós latinos sempre fazemos música que nos põe pra dançar.”
Por isso, ela apostou em ritmos que costumam fazer sucesso em países da América do Norte e da Europa. Para conquistar os Estados Unidos, lançou o single “Location”, um reggaeton country de rodeio com Anuel AA e J Balvin.
“A iniciativa de ‘Location’ foi precisamente fazer algo diferente do que estava fazendo. Chegamos a essas guitarras country, colocamos hip hop. Quando lançamos a música, os Estados Unidos eram o primeiro país que estava consumindo a canção. É incrível porque normalmente Estados Unidos está na 8ª ou na 10ªposição na lista de países que me ouvem.”
Simone & Simaria com Karol G na gravação do clipe em Las Vegas
@lasvegastourvip / Divulgação
Karol também quer conquistar de vez o Brasil. Ela veio ao país duas vezes, tem músicas gravadas com Simone e Simaria e Léo Santana, mas não consegue colocar o país no seu Top 10. Para ganhar o Brasil, ela estuda quatro nomes com quem gostaria de gravar.
“Com Ludmilla, Pabllo Vittar, Luísa Sonza também. É que vocês têm muitos artistas incríveis. Obviamente com Anitta. Estamos tentando encontrar uma música grande porque achamos que se formos fazer algo, temos que romper.”
“Mas o Brasil é um país que amo, tive a oportunidade de ir duas vezes e amei. Fui nos carnavais, as melhores festas da minha vida. Sim, quero fazer algo muito grande pro Brasil.”
Karol G e Léo Santana cantam na cerimônia de abertura da Copa América 2019, no Brasil
Pedro Ugarte/AFP
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